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Coisas que eu gostaria de fazer mas não tenho coragem

Fotor011712300 O que você faria se não tivesse medo? O que aconteceria se as palavras “E se…” não existissem? Provavelmente as pessoas seriam mais felizes, porque elas fariam mais as coisas que lhes agradam ao invés de fazer o que elas julgam certo ou o que tem mais chances de dar certo. Eu mesma posso listar as coisas que eu gostaria de fazer mas não tenho coragem, e ainda explicar o por quê eu não tenho coragem de faze-las. Duvida? Lá vai:

– Fazer um mochilão

Morro de vontade de pegar uma mochila, jogar algumas riupas dentro dela, colocar pente, escova e pasta de dente nela e sair. Assim mesmo, sair e ponto. Sem dever explicações, sem certeza pra onde vou, como vou, e nem de quando volto. Não sou de acompanha novelas, mas quando a novela ‘Amor a vida’ começou, meus pais estavam assistindo atentamente a televisão e eu um tanto distraída com o meu jantar, não pude deixar de notar o personagem Nilo. Ele era um mochileiro no Peru ou na Bolívia, não me lembro (avisei que não sou ligada em novelas), que vivia assim, viajando de carona em carona, escalando alpes, vendo as paisagens naturais mais belas, tomando banho de mar, livre, feliz e em paz, com uma sintonia positiva em relação ao mundo e a vida fora desta Babilônia contemporânea. Não é essa a vida que eu quero ter quando eu tiver 40 anos, mas eu gostaria de passar pelo menos um mês assim. Um mês viajando de praia a praia, de cidade a cidade, sem preocupações e sem consumismo, só me sentindo bem comigo mesma, com o mundo e com a vida. Aí você me pergunta: “O que te impede de passar só um mês fazendo isso? Daqui a pouco você completa 18 anos, pega a sua mochila e vai!” e então eu te respondo: Sei que tenho a auto estima baixa, mas isto não tem a ver com auto estima. Isto tem a ver com independência e auto suficiência. Sei que sou independente até certo ponto, mas que ponto é esse? Está pergunta eu não sei responder. E esse é o meu medo: Eu não sei se eu conseguiria viver assim. Confesso que sou mimada, carente e quase sempre tenho alguém a quem recorrer. Mas nas circuntâncias de mochileiro não existe porto seguro. Quem estaria lá comigo? Sei que tenho que ser mais independente, mas pra mim isso tem que acontecer aos poucos e não de uma só vez.

– Doar medula óssea

Eu tinha uma amiga que sofria de leucemia. Ela precisava de doações de medula óssea, mas não conseguia um doador compatível. Aquilo poderia ter a levado a morte. Por gostar muito dela e ver esse sofrimento eu falava que quando fizesse 18 anos eu passaria a ser doadora de medula óssea. Na época eu tinha uns 9 anos. Ano passado assisti a um filme, com os meus primos, em que o personagem principal vai fazer uma doação de medula. Fiquei horrorizada quando vi aquela cena. O homem se contorcia de dor, gritava e chorava. A agulha era enorme e extramamente gorssa, dava até para imaginar o sofrimento dele e a tremenda dor que ele sentia durante o período de repouso. Foi isso, um filme. Um filme que me fez perder a coragem de doar medula óssea. Mas quero compensar isto de alguma forma. Ainda quero ajudar pessoas doentes. Gosto de ajudar, principalmente quem realmente precisa e merece. Deve ser hereditário. Quero dar carinho para crianças com câncer, ser doadora de sangue, e fazer o que mais eu tiver coragem de fazer.

– Deixar a faculdade de lado e virar DJ

Meu Deus, não acredito que estou escrevendo isto ignorando o fato de ser um quase segredo, e sabendo da possibilidade da minha mãe ler isto. Ok. Mãe, não me mate e nem sinta raiva de mim. Mas é que a pressão que a faculdade/vestibular me dá é assustadora. Você sabe, conversamos sobre isto esta semana. E as vezes eu queria não ter que passar por isso, por provas, trabalhos e etc. ODEIO obrigações, e você sabe do meu amor incondicional pela música, aliás este mês faz 3 anos que eu estou na escola de música. E eu também já quis ser DJ quando eu tinha uns 13 anos, lembra? Então, a ideia meio que voltou. Mas eu não teria coragem de largar a faculdade pra isso. Talvez eu vire DJ depois da faculdade HAHAHAHAHA brincadeirinha (Ou não ‘-‘).

– Postar no YouTube um vídeo meu cantando e tocando

Muita gente faz isso, eu acho tão legal.Adoraria fazer o mesmo, a final é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Mas a minha (estúpida) timidez não permite que eu faça isso. Fim de lista. Até porque chega de faltar coragem né, preciso ser mais corajosa. Eu bem que queria ter um segredo para ser mais corajosa e falar para você, querido leitor. Mas eu não tenho, a não ser um “conselho” que eu ouvi um dia por aí: “Você só precisa de uma dose de vodca para ter 10 segundos de coragem insana.” Mas aí fica a critério de cada um optar ou não pela dose de vodca. Eu não me responsabilizo pela embreaguez de ninguém, nem dos meus leitores. P.S.: Se alguém fizer um teste com a vodca, me avise nos comentários.

Roberta Tokunaga

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Meu Parágrafo Favorito

“O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira ela é.

Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semirreal e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes.”  – A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera

Escolhi esses dois parágrafos desse livro porque simplesmente sou apaixonada por eles, na realidade, retirei esses dois parágrafos do meu capítulo favorito do livro. Comecei a ler esse livro quando estava muito perdidona na vida, não via muito sentido, essas coisas, o livro não me ajudou em nada, muito pelo contrário só plantou mais dúvidas na minha cabeça, mas também mostrou que ficar dividida não tem problema.

A Insustentável Leveza do Ser é um clássico da Filosofia, mas não fica só filosofando. Achei que seria aquele livro que só apresenta teorias e essas coisas, mas é, na verdade, um romance. A história nos mostra essa diferença entre o peso  e a leveza, e é um pouco tendencioso, ao longo da história você pode perceber que o autor prefere mesmo o peso, mas isso é escolha do leitor.

A teoria é pequena, através das histórias, que, ao mesmo tempo que paralelas, se cruzam,  você entende cada vez mais todo o significado da tese. O melhor é que você escolhe no que acreditar.

Eu criei a minha própria teoria, sem deixar de concordar com as apresentadas. É a do equilíbrio. Se vocês já leram algum texto meu sabem do que estou falando, eu sempre falo disso.

Esses dois parágrafos me ajudaram a entender que a vida não precisa ser ou oito ou oitenta, ela pode ser quarenta.

Tenho um apreço muito grande por esse livro, amei ter essa experiência desse tipo de leitura, não li muito rápido, mas também não muito devagar, foi o tempo certo, foi a hora certa para se ler essa história.

Além do mais, como todo livro, me fez crescer mais um pouquinho e fico muito feliz quando me perguntam quais livros eu já li e esse está na lista. Só eu sei o quanto essas palavras significaram pra mim e não adianta tentar descrever, porque não há palavras para descrever o indescritível.

P.S.: Eu seeeei que era só um parágrafo, mas minha explicação ia ficar muito sem sentido, não poderia escolher entre esses dois nunca na minha vida.

Isso é tudo pessoal.

Besitos, Carol.