Hoje deu uma saudade!

Oizão!

Esses dias eu estava no shopping com a minha tia e com a minha priminha de 5 anos, minha tia precisava fazer um pagamento e minha prima não dava paz, então eu fui com ela dar uma volta na loja mais perto, e ironicamente, era a loja da Polishop. Quando nós entramos, ficamos maravilhadas, – como todo ser humano que entra naquela loja – mas o que eu achei mais interessante, foi a minha prima de 5 anos virar pra mim e falar: “Ah, Carol, se a gente tivesse tudo isso, nossa vida seria tããão mais fácil”.  Eu não tive outra reação senão rir e depois contar para todo mundo achando a maior graça, mas depois, no meu momento-reflexão do dia (vulgo quando eu vou dormir, porque durante o dia, de fato, eu não tenho paciência pra ficar refletindo coisas profundas como essas) eu percebi que, se com 5 anos, minha prima já acha a vida difícil, imaginem vocês daqui uns 10 anos!

Fui invadida por uma sensação que, ao mesmo tempo gostosa, agonizante de nostalgia. Comecei a lembrar de quando eu tinha 5 anos e de como eu era realmente feliz, eu brincava na rua com as minhas primas, nós brigávamos, eu morria de medo do meu primo que é policial e tinha uma relação de amor e ódio com outro primo, eu morava perto de todo mundo, e as coisas eram bem mais fáceis, eu era uma verdadeira vagabunda na escolinha, porque saía no meio da aula para ir ver A FITA CASSETE da Xuxa com os bebês do maternal, ou simplesmente ver desenhos na sala da diretora (sim, minha vagabundagem era por demais incentivada) e mesmo assim eu conseguia ser a aluna mais inteligente da classe. Eu lembro que foi com 5 anos que eu li minha primeira palavra e daí pra frente não parei nunca mais, se eu contar pra vocês qual foi a primeira palavra que eu li, vocês vão me achar muito estranha por ainda lembrar? Ok, vou contar sobre aquele dia, eu não lembro muita coisa, eu só lembro de estar na terceira carteira (não sei fazendo o que, porque sempre fui baixinha, então tinha que ficar na primeira) e da professora escrever três palavras na lousa: borboleta, boi e bala, fiquei super ansiosa, porque tinha quase certeza que ela iria nos mandar ler, e eu já estava lendo tudo na minha mente, eu queria impressionar todo mundo lendo borboleta, que é uma palavra grande, mas fiquei tão desapontado quando chegou na minha vez, porque o Victor, um guri encapetado que tinha mordido minhas bochechas (quando eu ainda tinha um pouco) na semana anterior, estava sentado justamente na minha frente, e foi ele quem leu borboleta, dai todo mundo já sabia o que estava escrito, então, a próxima palavra ficou para mim. Eu li boi, a palavra mais sem graça que estava escrita na lousa. Viu como eu sou muito estranha? Eu lembro de como me senti ao ler pela primeira vez.

Só que isso não importa, eu perco o foco muito fácil, o que importa é que eu comecei a lembrar de tudo isso, e pensei em como as crianças de hoje (e sim, eu posso falar isso sim, eu assisti e ouvi fita cassete, eu rebobinei fitas e datilografei muito na máquina de escrever do antigo escritório do meu pai) são cada vez mais e mais exigentes, quando eu tinha a idade da minha prima, eu fazia leite para as minhas bonecas (vulgo filhas) com o resto do talco mentolado, que eu usei para não coçar/ficar com marcas quando peguei catapora, e eu era muito feliz fazendo isso, eu tinha boneca de pano (ainda tenho e não troco minhas bebês por nada nessa vida) e eu assistia TV Cultura, porque ninguém era rico o suficiente naquela época para ter TV à cabo, eu alugava toda semana com o meu pai as mesmas fitas: duas da turma da Monica, e a outra eu revezava entre os filmes da Barbie. Eu posso dizer que fui MUITO mimada, mas também, era um mimo tão diferente do de hoje, eu nunca tive aquelas balinhas que vem um mini ventilador de EVA na ponta, porque era o olho da cara ( e ainda é!), mas hoje, quem dera as crianças se contentassem com isso, hoje eu vejo crianças de 3/ 4 anos com tablets, iPhones, e ainda reclamando, enquanto, há 10 anos atrás, se você desse um aviãozinho de EVA pra QUALQUER criança, ela ganharia o dia, a semana, talvez até o mês, só por causa daquele objeto tão bobinho.

Decidi escrever isso hoje porque fui invadida de novo por essas sensação de nostalgia, não sei o que me fez cair nessa, se foi porque hoje eu percebi que a maioridade está chegando cada vez mais rápido pra mim, e com isso vem responsabilidades, ou se foi porque eu simplesmente quis.

Acho que essas coisas não é o nosso consciente que controla.

E você? Tem alguma lembrança boa, ruim, frustrante, engraçada da sua infância? Se tiver, por favor, nos envie, eu ficarei grata em compartilhar desse sentimento tão gostoso que é lembrar da época em que nós éramos mais felizes, e não víamos a hora de crescer.

Besitos, Carol Thaís :]

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6 comentários sobre “Hoje deu uma saudade!

  1. Nossa, Carol que profundo esse texto e tudo o que você disse é a mais pura verdade. Eu ainda adiciono um comentário de quanto mais coisas as pessoas tem, menos elas dão valor à elas!!!
    Tem uma coisa que eu me lembro da minha infância e eu acho que eu ainda a carrego comigo (felizmente ou infelizmente, não sei!!!), a ingenuidade, em acreditar que finais felizes existem, que as pessoas podem ser boas e que nunca vão me magoar, mas é aí que eu me engano.

  2. Poxa, eu sempre fui daquelas crianças bagunceiras que batia em todo mundo (kkkk). Minha mãe trabalhava muito, e eu ficava com uma baba (que aias trocava toda semana por que elas tinham medo de mim, não sei por que.) ai teve um dia que a baba foi pentear meu cabelo só que eu não queria de jeito nenhum, e ela teve que me colocar no meio das pernas dela e eu instantaneamente mordi ela muitooooo mas muitoooo forte mesmo.
    E até hoje ela me vê na rua e troca de calçada.
    Eu só nao entendo por que né :\ mas tudo bem.

    • É, eu não era bagunceira, eu era chata mesmo. Mas eu também não entendo o motivo das suas babás fugirem de você. Quando eu tinha babás, eu as fazia fazer minha lição de casa, mas elas me adoram até hoje, então não sei mesmo o que você fez de errado para elas. Obrigada por ler e comentar 😀

  3. Eu terminei de ler, yaaay!
    Ficou ótimo o post, Carol, mesmo, mesmo!
    Uma coisa que me faz contrastar infância e não-infância é a escola, não a escola em sim, mas o modo como eu via a escola.
    Era um lugar tão divertido, eu me lembro muito dessa rotina, eu indo pra escola de manhã, aprendia algumas coisas, pintava, desenhava, e afins. Mas eu me lembro muito das minhas tardes, eu adorava brincar com as outras crianças, correndo, brincando de boneca, assistindo TV ou fazendo balé e me lembro que nessa minha antiga escola, nas férias não tinha aula, mas os pais que trabalhavam podiam deixar os filhos lá, e eu PEDIA pra minha mãe me deixar ir, eu levava meus “melhores brinquedos” e ficava brincando com as “tias” e continuava sendo muuito legal.
    Quando eu comecei a crescer eu odiava brincar com as outras crianças, tipo… De correr essas coisas, não me dava nenhum pouco de alegria, e de repente a escola foi se tornando uma obrigação, não era mais um lugar pra eu me divertir, ver pessoas. Foi se tornando a minha prisão, e desde cedo a minha mãe quis me deixar ciente do quanto a tal da escola iria ser importante na minha vida (isso me levou a muitos choros de preocupação com notas e coisas do tipo, mas enfim…) e hoje em dia, cara… Eu agradeço por ter aproveitado a época em que as coisas eram fáceis, porque hoje em dia a escola se tornou completamente o oposto do que um dia ela já foi pra mim. :c

    • Obrigada Julia, de verdade. Sabe o que é? É que quando a gente é criança não sabe nada, não sabe do que gosta, do que não gosta, então aprender TUDO era legal. Só que a gente vai crescendo e descobrindo que não gosta de geografia, de ciências ou de matemática e aí é que para de ser divertido, porque tudo o que você aprende é necessário (TEM QUE SER, senão estamos estudando números totalmente á toa) para algo, e a questão é que mesmo descobrindo que não gostamos, não podemos parar de aprender. Hoje, por incrível que pareça, a escola significa muito mais do que antes, porque antes eu gostava de tudo, porque não conhecia nada, hoje eu posso ter a oportunidade de conhecer pessoas que estarão comigo por bem mais tempo e que podem me ajudar a superar aquelas coisinhas que eu não gosto na escola, como alguma matéria ou professor. Enfim, é isso. Obrigada de novo por ler 🙂

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